IESP

Instituto de Estudos Sócio-Políticos


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Formação a Distância sobre Produção Editorial

Inscrições podem ser feitas até 2 de agosto

Laura Bacellar ministra curso

[04/07/2013]

A Universidade do Livro, braço da Editora Unesp, promove, em agosto, o curso Produção Editorial – Formação a Distância. A carga horária é de 45 horas. O período é de 14 de agosto a 20 de novembro. As inscrições vão até 2 de agosto ou enquanto houver vaga.

Informações e inscrições
http://www.editoraunesp.com.br/unil-programacao-detalhe.asp?ctu_id=3&cun_id=85

A docente
Laura Bacellar trabalha no mercado editorial desde 1983. Começou na Editora Paz e Terra como estagiária e já ocupou todas as funções editoriais – de produtora na Hemus a editora chefe na Brasiliense. Fundou e dirigiu o primeiro selo editorial inteiramente dedicado às minorias sexuais, Edições GLS. Já foi editora em casas pequenas, como a Mercuryo, e grandes, como a Scipione. Sua especialidade é não-ficção, mas edita também paradidáticos, literatura adulta, literatura infantil e interesse geral. Escreveu três livros como ghostwriter e um com seu próprio nome Escreva seu livro – guia prático de edição e publicação, pela Editora Mercuryo. Adaptou cinco clássicos do inglês, Robinson Crusoé, Drácula, Sherlock Holmes, Frankestein e Rei Artur, para a editora Scipione e escreveu uma outra obra infantil, Mini Larousse da educação no trânsito, para a Larousse do Brasil em 2005. Mantém o site www.escrevaseulivro.com.br, bastante utilizado por editores para instruir autores que os procuram. Atualmente trabalha como free-lancer para várias grandes editoras.

Público-alvo
Todos os interessados pelo mercado editorial (iniciantes) e profissionais em busca de atualização — editores, assistentes editoriais, preparadores, revisores, estudantes de comunicação, editoração, jornalismo, letras, empreendedores e futuros empreendedores, outros profissionais e futuros profissionais de editoras e bibliotecários.

Informações importantes
– Pagamentos: em boleto: até dia 25 de julho; em cartão de crédito: até dia 02 de agosto/2013.
– Este curso requer uma dedicação de, ao menos, 3 horas semanais para o estudo dos conteúdos e a realização dos exercícios.
– A partir de 14 de agosto, a cada 4a. feira, estará disponível uma nova aula na plataforma, até o término do curso (20 de novembro de 2013).
– Entre os dias 12 e 13 de agosto, os inscritos receberão um e-mail com as informações sobre o acesso à plataforma do curso (login, senha, etc.).

Critérios de Avaliação
Para a aprovação do curso o aluno deverá, por meio da plataforma: 1. realizar as atividades sugeridas; 2. realizar 70% do total de exercícios indicados durante as aulas; e 3. fazer a Avaliação Final. Observação: A inobservância dos critérios apresentados acarretará a não conclusão do curso.

Conteúdo
São abordados no curso: o relacionamento entre os vários departamentos de uma editora; as responsabilidades dos produtores editoriais; os trabalhos extratextuais (capa, contracapa, orelha, folha de rosto etc.); os trabalhos com o texto (provas, diagramação, tradução, preparação, revisão etc.); o relacionamento com os vários profissionais envolvidos no processo, estes, entre outros tópicos fundamentais a serem levados em conta na busca da qualidade na elaboração de um livro.

Objetivos
Permitir ao aluno acompanhar em detalhe todos os passos da produção editorial e adquirir uma visão abrangente da edição de um livro. O aluno, ao longo do curso, é levado a refletir sobre os principais aspectos e questões do processo de produção no contexto geral do funcionamento de uma editora, do momento em que é definida a realização de uma obra até a entrega dos arquivos completos do livro à produção gráfica.

Local
O curso será online, oferecido pela Universidade do Livro (UNIL) em parceria com o Instituto Brasil Leitor (IBL), Núcleo de Educação a Distância da Unesp (NEaD), TV Unesp, Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp (ACI) e utilizará o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) – Moodle.

Universidade do Livro
Tel: (11) 3242 9555
Fax: (11) 3242 9613
unil@editora.unesp.br
Praça da Sé, 108 – Centro – São Paulo – SP
CEP: 01001-900

Assessoria de Comunicação e Imprensa (UNESP)


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Nota Pública Contra a Violência Policial

nota públicaNOTA PÚBLICA CONTRA A VIOLÊNCIA POLICIAL: APÓS PROTESTOS POLÍCIA REALIZA CHACINA NA MARÉ

As favelas da Maré foram ocupadas por diferentes unidades da Polícia Militar do Estado do Rio (PMERJ), incluindo o Batalhão de Operações Especiais (Bope), com seu equipamento de guerra – caveirão, helicóptero e fuzis – ontem, dia 24 de junho. Tal ocupação militar aconteceu após manifestação realizada em Bonsucesso pela redução do valor da passagem de ônibus, como as inúmeras que vêm sendo realizadas por todo o país desde o dia 6 de junho. As ações da polícia levaram à morte de um morador na noite de segunda-feira.

Um sargento do Bope também morreu na operação e a violência policial se intensificou, com mais nove pessoas assassinadas, numa clara demonstração de revide por parte do Estado. Diversas manifestações estão ocorrendo em todo o país e intensamente na cidade do Rio de Janeiro. Nas últimas semanas a truculência policial se tornou regra e vivemos momentos de bairros sitiados e uma multidão massacrada na cidade. No ato do último dia 20, com cerca de 1 milhão de pessoas nas ruas, o poder público mobilizou a Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), contando com o Choque, Ações com Cães (BAC), Cavalaria, além da Força Nacional. A ação foi de intensa violência contra a população, causando um clima de terror em diversos bairros da cidade.

Não admitimos que expressões legítimas da indignação popular sejam transformadas em argumento para incursões violentas e ocupações militares, seja sobre a massa que se manifesta pelas ruas da cidade, seja nos territórios de favelas e periferias! Tal ocupação das favelas da Maré evidencia o lado mais perverso deste novo argumento utilizado pelos órgãos governamentais para darem continuidade às suas práticas históricas de gestão das favelas, de suas populações e da resistência popular. Sob a justificativa de repressão a um arrastão, a polícia mais uma vez usou força desmedida contra os moradores da Maré, uma prática rotineira para quem vive na favela. É importante observar que, quando o argumento de combate a um arrastão foi usado contra manifestantes na Barra da Tijuca, não houve a utilização de homens do Bope, nem assassinatos, mostrando claramente que há um tratamento diferenciado na favela e no “asfalto”. Repudiamos a criminalização de todas as manifestações.

Repudiamos a criminalização dos moradores de favelas e de seu território. Repudiamos a segregação histórica das populações de favela – negras/os e pobres – na cidade do Rio de Janeiro. Não admitimos que execuções sumárias sejam noticiadas como resultado de confrontos armados entre policiais e traficantes. Não se trata de excessos, nem de uso desmedido da força enquanto exceção: as práticas policiais nesses territórios violam os direitos mais fundamentais e a violação do direito à vida também está incluída nessa forma de oprimir. O governo federal também contribui com o que ocorre nas favelas cariocas, não apenas pela omissão na criação de políticas públicas, mas também por manter as tropas da Força Nacional de Segurança dentro da cidade, reproduzindo o mesmo modelo aplicado pelo governo estadual. As/Os moradoras/es de favelas e toda a população têm o direito de se manifestar publicamente – mas pra isso precisam estar vivas/os. E o direito à vida continua sendo violado sistematicamente nos territórios de favelas e periferias do Rio de Janeiro e de outras cidades do país. Exigimos a imediata desocupação das favelas da Maré pelas forças policiais que estão matando suas/seus moradoras/es com a justificativa das manifestações. Exigimos que seja garantido o direito à livre manifestação, à organização política e à ocupação dos espaços públicos.

Exigimos a desmilitarização das polícias. Assinam a nota:

Acampamento Indígena Revolucionário (AIR), Action Aid Brasil, Aldeia Maracanã, Amálgama Cooperativa Cultural, Anota (Agência de Notícias Alternativas), ARTFEM (Articulação da Frente Anarco-Feminista), Articulação de Mulheres Brasileiras – RJ, Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa – ANCOP, Assembleia Nacional dos Estudantes Livre (ANEL), Associação Angolana OMUNGA, Associação de Docentes do Colégio Pedro II, Arteiras Alimentação do Borel, Associação Centro Comunitário Nova Sepetiba, Associação de Moradores do Jacarezinho, CAMTRA, Centro Acadêmico de Letras da USP (CAELL), CEASM – Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré, Central de Movimentos Populares (CMP), CENTRO ACADÊMICO DE LETRAS DA UFRJ (CALET – UFRJ ), Centro de Assessoria Jurídica Popular Mariana Criola, Centro de Etnoconhecimento, Centro de Promoção da Saúde (CEDAPS), Centro de Referência de Mulheres da Maré Carminha Rosa (CRMM-CR/UFRJ), CENTRO DE TEATRO DO OPRIMIDO-CTO, Cidadania e Imagem-UERJ, Circuito Carioca de Ritmo e Poesia – CCRP, Círculo Palmarino, Coletivo Antimanicomial Antiproibicionista Cultura Verde, Coletivo da Cidade (DF), Coletivo de Artistas Faixa de Gazah, coletivo Blogueiras Negras, Coletivo Capitalismo em Desencanto, Coletivo Digital – São Paulo, Coletivo Direito de Resistência (Direito-UFRJ), Coletivo de Estudos sobre Violência e sociabilidade – CEVIS-UERJ, Coletivo das Lutas, Coletivo Perifatividade,  Coletivo Político Quem, Comitê Popular da Copa – DF , Comitê Popular Rio da Copa e das Olimpíadas, Coletivo RJ Memória Verdade e Justiça, Coletivo Tem Morador,  Conectas Direitos Humanos, Conselho Nacional dos Direitos Indígenas (CNDI), Conselho Regional de Psicologia (CRP/RJ), CRP/RS, Conselho Regional de Serviço Social (CRESS/RJ), CUCA – FACHA, DCE – FACHA Vladimir Herzog, DCE-UFRJ, Diretório Acadêmico Lima Barreto (Dalb/UERJ), Deputado Federal Chico Alencar (PSOL/RJ), Executiva Nacional de Estudantes de Comunicação Social (ENECOS) , FASE, Fórum de Alunos das Pós Graduações em Sociologia e Ciência Política do Iesp/Uerj, Fórum da Amazônia Oriental – FAOR, O Fórum Comunitário do Porto (FCP), Fórum de Juventudes RJ, Fórum Social de Manguinhos, Frente de Resistência Popular da Zona Oeste, Grupo dos (as) Comunicadores (as) Populares RJ, Grupo Conexão G, Grupo Eco Santa Marta, Grupo ÉFETA Complexo Alemão, Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, IESP (Instituto de Estudos Sócio-Políticos), Instituto Brasileiro De Análises Sociais E Econômicas (IBASE), Instituto de Formação Humana e Educação Popular (IFHEP), Instituto Búzios, Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (DDH), Instituto Equit – Gênero, Economia e Cidadania Global, Instituto de Imagem e Cidadania Rio de Janeiro, Instituto Raízes em Movimento do Complexo do Alemão , ISER, Instituto Telecom, Justiça Global, Kizomba, Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento – LACED/Museu Nacional/UFRJ, Laboratório de Etnografia Metropolitana (LeMetro/IFCS-UFRJ), LAESER (Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatística das Relações Raciais) da UFRJ, Liga Operária, Luta Pela Paz, LUTA POPULAR, Mandato do Deputado Estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ), Mandato Deputado Estadual Gilberto Palmares (PT/RJ), Mandato do Deputado Federal Chico Alencar (PSOL/RJ), Mandato do Vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL/Niterói), Mandato do Vereador Renato Cinco (PSOL/RJ), Mandato do Vereador Henrique Vieira (PSOL/Niterói), Marcha Mundial das Mulheres, Marcha das Vadias Baixada Fluminense, Marcha das Vadias  RJ, Movimento Cidades (in)Visíveis, Movimento Direito Para Quem?, Movimento Honestinas, Movimento Indígena Revolucionário (MIR), Movimento de Luta nos bairros vilas e favelas – MLB, Movimento Nacional de Luta pela Moradia – MNLM, MST, MUCA – Movimento Unido dos Camelôs, Levante Popular da Juventude, Mariana Criola, Movimento pela Legalização da Maconha, Movimento DCE Vivo (UFF), Movimento Pensa Alemão, Museu da Maré, NPC, Nami Rede Feminista de Arte Urbana, Núcleo de Direitos Humanos da PUC, Núcleo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Saúde Mental e Atenção, Núcleo Frei Tito de Direitos, Comunicação e Cultura do PSOL, Núcleo de mulheres da FACHA “Pagu”, Núcleo de Pesquisa sobre Sistema Penitenciário e Violência da UNISUAM, Núcleo PSOL Maré, Núcleo de Resistência Artística – NRA, NÚCLEO DE RESISTÊNCIA POPULAR SOCIALISTA DA TIJUCA, Núcleo Socialista de Campo Grande, Observatório das Favelas, Ocupa Alemão, Ocupa Borel, PACS, PCB, Posse Ação Resistência, Práxis Direitos Humanos, Preserva Mundi, PRÉ-VESTIBULAR PARA NEGROS E CARENTES (PVNC), Psicossocial – NEPS da UERJ, PSTU, Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, Rede FALE RJ, Rede de Instituições do Borel, Redes de Desenvolvimento da Maré, Rede Rio Criança, Resistência Indígena Continental, Revista Vírus Planetário, Sepe/RJSou Niterói,  UJC, Tribunal Popular, União por Moradia Popular, Universidade Nômade, Rompendo Amarras, Sodireitos – Belém Verdejar Sócioambiental, Visão da Favela Brasil – Morro Santa Marta

Assinaturas de coletivos devem ser enviadas para: contato@enpop.net

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A truculência da nossa PM

Em vários momentos já mencionamos em nossos textos que a nossa polícia precisa de uma reforma urgentemente. Mas a participação dos movimentos populares, da sociedade civil organizada, partidos, instituições e do cidadão comum é imprescindível para que seja efetivado o anseio da população por uma polícia desmilitarizada.

Há poucos dias (13/06/2013) nossa atenção estava voltada para o caso da jornalista Giuliana, da Folha de São Paulo, que foi atingida no olho em ação da PM, caso que virou campanha da Rede Globo contra a truculência policial.

Nesta última quinta-feira (20/06/2013) mais fatos e situações para reforçar este anseio ocorreram. A polícia se utilizou de uma violência absurda e completamente desnecessária, não havia a menor razão para a forma truculenta com que a polícia atacou os manifestantes. Mas sabemos que a polícia agiu sob ordem política, sabemos que esta força policial agiu sob as orientações do governador. Quem estava na Cinelândia pode relatar que as pessoas estavam reunidas e a polícia chegou jogando bombas. Representantes da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, declaram que já receberam inúmeras denúncias de violações e já encaminharam para a Defensoria Pública e para o Ministério Público. (Representante da Comissão se pronuncia a respeito)

Um outro fato que trouxe a público este brado por uma polícia desmilitarizada e pela reforma policial há algum tempo atrás foi o caso da agressão policial contra o estudante de Licenciatura em Ciências da Natureza da USP, Nicolas Menezes.

O quadro social acabou sendo retratado em quadrinhos pelo chargista Latuff. A agressão foi filmada e postada no Youtube. O vídeo causou espanto e indignação por conta da violência empregada contra o jovem pelo policial chamado André, que chegou a sacar uma arma e apontá-la ao estudante.

Veja a charge abaixo:


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PREPAREM-SE – CONAE / 2014

Politicas_publicas em educacaoEDUCADORES, PREPAREM-SE PARA CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO DE 2014

Por Vivy Faria – 10 de junho de 2013

Desde abril deste ano (2013) pelo Portal Brasil já está sendo noticiada a aprovação do documento com diretrizes voltadas para desenvolvimento da educação no País. A publicação do documento Cenário da Educação Nacional, que servirá de apoio aos debates em todas as conferências preparatórias, municipais e intermunicipais. A aprovação se deu por meio do Fórum Nacional de Educação (FNE), que é o espaço de interlocução entre a sociedade civil e o Estado. Composto por 39 entidades e órgãos ligados à educação brasileira, o fórum avalia os impactos da implementação do Plano Nacional de Educação (PNE) e acompanha, junto ao Congresso Nacional, a tramitação de projetos legislativos referentes à política nacional de educação.

Dentro deste contexto. É importante ressaltar que educadores e gestores devem buscar estar a par de todas as atividades decorrentes do Fórum Nacional de Educação (FNE), e de como participar de forma efetiva de todas as etapas das conferências preparatórias, municipais e intermunicipais para a Conae 2014. Queridos professores não participar e não se pronunciar é dar direitos para que outros decidam por você, por isso sua participação é essencial.

Baixe o Documento

Curso online de A Criança e a Globalização


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Às Comissões Nacional e Estadual (RJ) da Verdade

Curso online de Direitos Humanos

DepoimentoRio de Janeiro, 13 de junho de 2013.

Às Comissões Nacional e Estadual (RJ) da VerdadeO Grupo Tortura Nunca Mais/RJ encaminha, em anexo, depoimento de sua fundadora e atual vice-presidente sobre sua prisão arbitrária e torturas sofridas em agosto/novembro de 1970 nas dependências do DOPS/RJ e DOI-CODI/RJ.

Além da publicização do mesmo, solicita que os 11 (onze) nomes de torturadores reconhecidos por ela, naquele período, naqueles dois estabelecimentos, sejam chamados por estas Comissões a prestar esclarecimentos sobre os crimes pelos quais são responsabilizados neste depoimento.

É da competência dessas Comissões chamar tais pessoas conforme as instâncias em que estes agentes tinham atuado. Esperamos que isto ocorra o mais breve possível.

Desde já, colocamo-nos ao seu inteiro dispor para quaisquer outras informações que se fizerem necessárias.

Atenciosamente
Victória Grabois
Presidente do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ

Torturadores reconhecidos por Cecília Coimbra:

Alguns torturadores foram por mim reconhecidos:
1) Major da PM RiscaleCorbaje era o chefe de uma das equipes do DOI-CODI/RJ em 1970 e 1971. Conhecido como Dr. Najib era tenente-coronel, em 1986, quando exercia a função de Assessor de Segurança do BANERJ.
2) Luiz Timótheo de Lima, era agente da Polícia Federal/RJ e lotado no DOPS/RJ, com atuação no DOI-CODI/RJ, em 1970.. Conhecido como Padre foi, nos anos 80, segurança do Hospital do Câncer, da Câmara de Vereadores (gabinete Romualdo Carrasco) e, em 1986, trabalhava no Setor de Segurança da Mesbla.
3) João Câmara Gomes Carneiro era major da Cavalaria do Exército e serviu na 12ª RI-BH, onde comandava sessões de tortura, em 1968 e 1969. Em 1969 e 1970 comandou o DOI-CODI/RJ. Era conhecido como Magafa. Em 1975, foi para a reserva, indo residir em SP, tendo em 1987 uma empresa de segurança.
4) Ailton Guimarães Jorge era capitão intendente do Exército. Serviu na PE da Vila Militar/RJ, de 1968 a 1970 e no DOI-CODI/RJ de 1970 a 1974. Conhecido como Dr. Roberto, esteve envolvido em contrabando. Foi processado e absolvido. Em 1975, foi para Reserva e tornou-se banqueiro do bicho.
5) Alfredo Magalhães, oficial da Marinha. Era do CENIMAR, em 1970 e 1971. Apesar de reformado continuou ligado àquele órgão. Conhecido como Dr. José, Dr. Paulo, Comandante Mike e Alemão.
6) Almicar Lobo Moreira da Silva, tenente médico do Exército. Serviu no DOI-CODI/RJ, de 1970 a 1974. Também era conhecido como Dr. Carneiro.
7) Ary Pereira de Carvalho era tenente coronel da Cavalaria do Exército. Serviu na PE da Vila Militar/RJ e no DOI-CODI/RJ de 1970 a 1974. Em 1985, era adido militar na Embaixada do Brasil em Buenos Aires. Mário Borges era Comissário da Polícia Federal, lotado no DOPS/RJ desde 1966. Era conhecido como Capitão Bob.
9) Jair Gonçalves da Motta era inspetor da Polícia Federal, lotado no DOPS/RJ. Também atuou no CISA, em 1971. Era conhecido como Capitão. Tinha livre trânsito no DOI-CODI/RJ.
10) Humberto Quintas era funcionário do DOPS/RJ desde 1969.
11) Francisco Demiurgo Santos Cardoso, conhecido como “major Demiurgo”. Era Major na Infantaria do Exército, lotado no DOI-CODI/RJ em 1969 e 1970. Nos anos 70 foi transferido para o Comando Militar da VIª RM de Salvador (Bahia).

DEPOIMENTO DE CECILIA MARIA BOUÇAS COIMBRA ÀS COMISSÕES NACIONAL E ESTADUAL DA VERDADE

“Lembra daquele tempo
Que sentir era
A forma mais sábia de saber
E a gente nem sabia?.”
(Alice Ruiz)

Trazer um tempo vivido intensa e ativamente, de forma um tanto frenética, pois tudo nos parecia urgente de ser realizado, sem cair em uma espécie de saudosismo conservador, é um desafio. Desafio que aceito enfrentar ao tentar trazer alguns fragmentos de uma história que nunca será somente minha, mas de uma geração que generosamente sonhou, ousou, correu riscos e, como a peste, foi massacrada e exterminada. Uma geração que, nos anos 60 e 70, apaixonadamente tentou marcar suas vidas não pela “mesmice”, pelo instituído, pela naturalização, mas ao contrário, pela resistência, pela desmistificação, pela criação de novos espaços.

Em 1962, aos 21 anos, quando cursava História, na antiga Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (FNFI da UB), atual UFRJ, entrei para o então clandestino Partido Comunista Brasileiro (PCB). Pertenci aos seus quadros de base até 1967, quando, já discordando de sua linha política, comecei a participar de alguns encontros na então chamada Dissidência do PC na Guanabara (DI).

Fiz parte de uma geração de jovens estudantes e intelectuais que viveu intensamente o alegre e descontraído início da década de 60. Naquele período fortaleceram-se diferentes movimentos sociais que se voltavam para a “conscientização popular”. Anos marcados pelos debates em torno do “engajamento” e da “eficácia revolucionária”, onde a tônica era a formação de uma “vanguarda” e seu trabalho de “conscientizar as massas” para que pudessem participar do “processo revolucionário”. A efervescência política, o intenso clima de mobilização e os avanços na modernização, industrialização e urbanização que configuravam aquele período traziam, necessariamente, as preocupações com a participação popular.

Ressoavam muito próximos de nós os ecos da vitoriosa Revolução Cubana, que passou a embalar toda uma juventude e grande parte da intelectualidade latino-americana, como o sonho que poderia se tornar realidade.

E, veio o golpe civil-militar (1964)1 e o golpe dentro do golpe (AI-5, em 1969), quando a ditadura consolidou a sua forma mais brutal de atuação através de uma série de medidas como o fortalecimento do aparato repressivo com base na Doutrina de Segurança Nacional. Silenciava-se e massacrava-se toda e qualquer pessoa e/ou movimento que ousasse levantar a voz: era o terrorismo de Estado fortalecendo-se.

Naqueles anos aproximei-me de alguns militantes do movimento estudantil – embora já fosse professora de História, continuava na Universidade fazendo a graduação em Psicologia – e participei de alguns encontros do que, logo depois, viria a se constituir como MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro). Como tinha vida legal, estava casada e tinha um filho, passei a fornecer infraestrutura e apoio a vários companheiros que já estavam, em 1968 e 1969, na clandestinidade, militando em organizações clandestinas e/ou presos.

Em setembro de 1969, quando do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, antes e após a ação, abriguei em minha casa, à Rua Monsenhor Jerônimo, nº 776, aptº 104, no Engenho de Dentro, alguns companheiros que participaram do sequestro: Franklin Martins, José Roberto Spiegner (assassinado em fevereiro de 1970 pela repressão) e Fernando Gabeira, dentre outros.

Através de uma denúncia anônima, vinda do CENIMAR, minha casa esteve monitorada por cerca de um mês, em julho/agosto de 1970, sem que eu sequer desconfiasse.

Em 26/08/1970, à tardinha, o Serviço de Buscas do DOPS/RJ invadiu minha residência, onde apreendeu dezenas de livros e alguns documentos. Fui presa e levada, junto com meu marido José Novaes, pelo inspetor Jair Gonçalves da Mota – que parecia chefiar a operação – para a Sede do DOPS/RJ, à Rua da Relação.

Ao chegar ao 2º andar do prédio do DOPS/RJ, recebeu-nos, com gritos, impropérios e palavrões, o diretor do DOPS/RJ à época, o delegado Mário Borges que me intimidava aos berros: “Fale, sua puta comunista, com quantos você trepou?”.

Fui separada de meu marido, sendo levada para uma sala – naquele 2º andar – onde dois homens que não consegui identificar (um deles era alto, forte, mulato, com cabelos pretos, curtos e bem encaracolados) – revezavam-se no interrogatório. Queriam que eu escrevesse sobre minhas atividades “subversivas” e informasse a origem de um dos documentos encontrado em minha residência. Fiquei sob interrogatório, sendo agredida verbalmente, ininterruptamente, por toda aquela noite e parte do dia seguinte.

À tarde desse segundo dia, 27/08, fui levada para o Depósito de Presas São Judas Tadeu, que ficava no andar térreo do prédio do DOPS. Lá, dormi, na noite de 27 para 28/08, em uma pequena cela – separada das demais presas que eram comuns. Nesta pequena cela encontravam-se algumas presas políticas, entre elas Germana Figueiredo e Maria Auxiliadora Lara Barcelos2.

À tarde do dia 28/08, fui colocada em uma viatura oficial da polícia civil, junto com José Novaes e uma amiga, também presa, Arlete de Freitas. Antes disso, ao sair do presídio e ser levada novamente para o 2º andar, em uma sala, fui interrogada pelo agente do DOPS, Humberto Quintas. Soube do nome, pois esta pessoa havia sido vizinha de Arlete, minha amiga, que já estava presa no DOPS. Na ocasião, vi, em uma dessas salas, um colega da FNFi, Abel Silva e Sônia, sua mulher à época, na condição de presos.

Algemada e encapuzada, fui levada para o DOI-CODI/RJ, no quartel da Polícia do Exército, à Rua Barão de Mesquita, na Tijuca.

Falar daqueles três meses em que fiquei detida incomunicável sem um único banho de sol ou qualquer outro tipo de exercício é falar de uma viagem ao inferno: dos suplícios físicos e psíquicos, dos sentimentos de desamparo, solidão, medo, pânico, abandono, desespero; é falar da “separação entre corpo e mente”, como afirmava Hélio Pellegrino.
A tortura não quer “fazer” falar, ela pretende calar e é justamente essa a terrível situação: através da dor, da humilhação e da degradação tentam transformar-nos em coisa, em objeto. Resistir a isso é um enorme e gigantesco esforço para não perdermos a lucidez, para não permitir que o torturador penetre em nossa alma, em nosso espírito, em nossa inteligência.

Em especial, a tortura perpetrada à mulher é violentamente machista. Inicialmente são os xingamentos, as palavras ofensivas e de baixo calão ditas agressiva e violentamente como forma de nos anular.

Chegando ao DOI-CODI/RJ, um prédio ao final do pátio da PE, no andar térreo, retiraram-me as algemas, o capuz e fui identificada. Ocasião em que me retiraram relógio, anel, aliança, cordão e cinto e soube, então, estar em um quartel do Exército.

Novamente encapuzada, levaram-me para o andar superior (subi dois lances de escada). Fiquei em uma cela e, após retirarem-me o capuz, entrou um homem que, sem dizer o nome, identificou-se como médico, tirou minha pressão e perguntou-me se era cardíaca. Não possuía qualquer identificação, embora estivesse uniformizado. Mais tarde, ao esquecer um receituário em minha cela, soube tratar-se de Amílcar Lobo, conhecido como Dr. Carneiro, médico e aspirante a psicanalista.

Poucos minutos depois, fui levada encapuzada para o andar térreo, para uma sala que ficava à direita, no final de um corredor: a sala de torturas, conhecida como “sala roxa”. De capuz, tive minhas roupas arrancadas e meu corpo molhado. Fios foram colocados e senti os choques elétricos: no bico dos seios, vagina, boca, orelha e por todo o corpo. Gritavam palavrões e impropérios, chutavam-me. Já haviam identificado o documento encontrado em minha residência: era do MR-8 e da ALN, quando do sequestro do embaixador norte-americano, no ano anterior. Naquele mês de agosto, havia sido sequestrado o embaixador alemão e os serviços de informação pouco sabiam a respeito. Acharam que por ter em mãos aquele documento, eu teria alguma informação sobre o sequestro do embaixador alemão. Exigiam-me, através das torturas, que eu falasse o que não sabia! Em dado momento, não sei precisar quanto tempo decorreu (encontrava-me sem controle da bexiga e do ânus), tiraram-me o capuz e vi vários homens. Mais tarde, identifiquei alguns, como sendo o major da PM Riscala Corbaje, conhecido como Dr. Nagib, o agente da polícia civil Luiz Timótheo de Lima, conhecido como Padre e Jair Gonçalves da Mota, o mesmo que havia participado das buscas em minha residência com a equipe do DOPS/RJ. Havia ainda, um sargento do Exército – o único que usava farda – baixo, gordo, negro, que não consegui saber quem era. Extremamente agressivo, chutava-me, empurrava-me e esmurrava-me.

Fui levada de volta para a cela por um cabo do Exército – usava uniforme, era bem moreno, altura mediana, de porte médio tendendo para magro, cabelos lisos e pretos, parecendo nordestino – era chamado de cabo Gil e, frequentemente, cantava quando vinha, balançando as chaves, nos levar para algum interrogatório e/ou tortura: “Receba as flores que eu te dou / Em cada flor um beijo meu (…)”.

Ao chegar à cela, deparei-me com Arlete de Freitas que ficou ali presa comigo por alguns dias. No dia seguinte, não sei precisar bem, fui novamente levada para a sala de tortura, no andar térreo, e lá vi parte da tortura que meu marido sofria: choques elétricos em todo o seu corpo. Seus gritos acompanharam-me durante anos.

Era muito comum esta tática quando algum casal era preso, além de se tentar jogar um contra o outro em função de informações que pseudamente algum teria passado para os torturadores… “Será mesmo que ele falou isso?”… Era necessário um esforço muito grande para não sucumbirmos…”Se falou está louco!”… era o meu argumento, repetido à exaustão.

Continuavam querendo saber sobre o sequestro do embaixador alemão. Fui novamente despida, e colocada numa sala que ficava ao lado da de torturas. Fui amarrada numa cadeira e colocaram um filhote de jacaré sobre meu corpo. Desmaiei.

Queriam também saber sobre alguns postais encontrados em nossa casa, enviados por amigos que estavam exilados na França. Acusavam-nos de fazer parte do grupo que encaminhava denúncias sobre a ditadura para o exterior.

Os guardas que me levavam, sempre encapuzada, percebiam minha fragilidade… Constantemente praticavam vários abusos sexuais… Os choques elétricos no meu corpo nu e molhado eram cada vez mais intensos… E, eu me sentia desintegrar: a bexiga e o ânus sem nenhum controle… “Isso não pode estar acontecendo: é um pesadelo… Eu não estou aqui…”, pensava eu. O filhote de jacaré com sua pele gelada e pegajosa percorrendo meu corpo… “E se me colocam a cobra, como estão gritando que farão?”… Perco os sentidos, desmaio…Inicialmente me fizeram acreditar que nosso filho, de 3 anos e meio (José Ricardo Coimbra Novaes) e meu irmão menor (Custodio José Bouças Coimbra)3 haviam sido entregues ao Juizado de Menores, pois minha mãe e meus irmãos estariam também presos. Foi fácil entrar nessa armadilha, pois vi meus três irmãos e minha cunhada no DOI-CODI/RJ (Fernando Bouças Coimbra, Delfim Bouças Coimbra, Emídio Tadeu Bouças Coimbra e sua esposa Dora Cristina Rodrigues Coimbra, casados há um mês). Estes últimos tiveram sua casa invadida e vasculhada. Sem militância política, foram sequestrados da casa de minha mãe, presos e torturados: tinham uma “terrorista” como irmã… Esta era a causa que justificava todas as atrocidades cometidas… A casa de minha mãe havia sido invadida e várias pessoas que lá estavam foram presas e levadas para o DOI-CODI/RJ como meus três irmãos, minha cunhada, meu primo Fernando Antunes Coimbra e meu cunhado João Novaes. Após a casa de minha mãe ser invadida, fizeram uma mis-en-scène em minha residência. Cercaram o quarteirão e metralharam a porta do apartamento, retirando de lá vários exemplares de jornais, afirmando para os vizinhos que se tratava de material “subversivo”. Já estávamos presos há 3 dias.

O barulho aterrorizante das chaves nas mãos de algum soldado que vinha abrir alguma cela… “Quem será dessa vez”… Quando passava por nossa cela e ia adiante respirávamos aliviadas. Alívio parcial, pois pensávamos: “quem estará indo para a “sala roxa” dessa vez”? Esse farfalhar de chaves me acompanhou por muitos anos.

Às 18 horas faziam o “confere” em cada uma das celas: alguns soldados, um oficial – um deles orgulhosamente exibia um anel com uma caveira em cima de duas tíbias, símbolo do famigerado Esquadrão da Morte – e um enorme cão policial nos farejava.
De madrugada, sistematicamente, abriam violenta e estrondosamente as celas e lançavam fortes luzes em nossos olhos, ordenando-nos, aos gritos, que nos levantássemos, pois um novo “confere” iria ser feito… De novo, o cão policial nos farejava…

Em outro momento, ainda em final de agosto, não sei precisar o dia, à noite, fui colocada algemada e encapuzada em um carro de passeio. Quando saltei do carro, sem capuz e algemas, reconheci o prédio, em Copacabana, onde moravam meus amigos Marlene Paiva e Marcos Franco, já falecidos. Subimos no elevador e, diante da porta do apartamento, os homens – eram quatro, os que me levavam -, sacaram suas metralhadoras e tocaram a campainha. Quando Marcos atendeu, empurraram-me para dentro. Vistoriaram a casa e os levaram presos comigo para o DOI-CODI/RJ. Anteriormente vinculados ao PCB, naquela época não tinham militância política. Voltei no carro sem capuz e reconheci o local onde estava presa: a PE da Rua Barão de Mesquita.

Chegando lá, algum tempo depois, fui levada para “assistir” Marlene e Marcos separadamente, serem torturados. Reconheci entre seus torturadores o Dr. Nagib (Riscala Corbaje) e aquele que chamavam de Padre (Luiz Timótheo de Lima).

Nos dias que se seguiram, toda vez que vinham buscar-me na cela para novo interrogatório, encapuzavam-me e as sevícias e abusos sexuais aconteciam por parte dos soldados que me levavam. Num desses dias, ainda em final de agosto, vi e falei com uma amiga, que não sabia tinha sido presa também, Maria Helena do Nascimento Barbosa.

Nas noites em que não tinham “trabalho” para ser feito, algumas equipes de torturadores para “passar o tempo” nos chamavam, apenas as mulheres. Nunca sabíamos se era para novas sessões de tortura, para alguma acareação ou para um “bate papo”, como eles denominavam essas “conversas”. Nelas, alguns deles tentavam nos convencer de que as torturas eram necessárias e nos perguntavam: “vocês falariam alguma coisa se não houvesse essas “pressões”?”… Nesses “bate-papos” tentavam ainda nos jogar umas contra as outras ao insinuarem sobre alguma de nós: “mas vocês têm certeza da militância dela? Vocês confiam mesmo nela?”…

A partir de setembro, fui transferida para uma cela maior – conhecida como Maracanã – onde estive com várias presas: Dulce Pandolfi, Carmela Pezzuti, Tânia, Glória Márcia Percinotto, três moças ligadas à JOC (Juventude Operária Católica) de Volta Redonda e Maria do Carmo Menezes (grávida de cinco meses)4, dentre outras.

Numa madrugada fui retirada da cela, levada para o pátio, amarrada, algemada e encapuzada… Aos gritos diziam que ia ser executada e levada para ser “desovada” como em um “trabalho” do Esquadrão da Morte… Acreditei… Naquele momento morri um pouco… Em silêncio, aterrorizada, me urinei… Aos berros, riram e me levaram de volta à cela… Parece que, naquela noite, não tinham muito “trabalho” a fazer … Precisavam se ocupar…

Algumas mulheres que demonstravam uma maior resistência às torturas eram “premiadas”: sempre estavam sendo chamadas para os “bate-papos” de madrugada e eram utilizadas como cobaias em aulas para novos torturadores. Caso de uma companheira de cela, Dulce Pandolfi, relatado no livro Brasil Nunca Mais, coordenado pela Arquidiocese de São Paulo.

Em outro momento, logo após a prisão de Marcos e Marlene, conheci um outro torturador: baixo, forte, cabelos claros, tendendo para o ruivo, com bigodes: era João Câmara Gomes Carneiro que, soube, tinha vindo de Minas Gerais. Reclamava dos gritos de Marlene, que estava sendo torturada, e da menstruação de Arlete, pois havia manchado sua capa de chuva ao sentar na cadeira onde ela estivera sendo interrogada.

Noutra ocasião, fui levada encapuzada para uma sala que ficava no andar térreo, mas do lado oposto ao da sala de torturas. Parecia o gabinete de alguma autoridade. Lá, um oficial do Exército – estava de farda, mas sem qualquer identificação, como todos os demais – louro, alto, robusto, que, posteriormente, identifiquei como sendo Alfredo Magalhães, me interrogou sobre o sequestro do embaixador alemão. Nesta sala havia um quadro com a caveira e as tíbias cruzadas e as iniciais EM, símbolo do Esquadrão da Morte.

Durante o período de minha detenção – de 28/08 a 11/11/1970 – não tive direito a um só banho de sol, nem contato com qualquer advogado. Quase um mês depois da prisão, assinei, na própria cela, uma ordem de prisão preventiva. Somente a partir daí, pude receber cartas de minha família – censuradas, pois eram cortados os trechos considerados “perigosos”.

No DOI-CODI/RJ estavam proibidas quaisquer visitas e a entrada de quaisquer publicações – livros, revistas, jornais.

Além das pessoas presas já mencionadas, algumas outras foram vistas por mim no DOI-CODI/RJ: Alberto José Barros da Graça, Luiz Sérgio Dias, já falecido, (amigos e companheiros do PCB e da FNFi), Jorge Leal Gonçalves e Eduardo Leite, o Bacuri. Este último, já quase não andava de tão torturado. Era carregado por dois soldados5. Jorge Leal Gonçalves é desaparecido político. Foi visto por mim, em outubro de 1970, não sei precisar o dia, quando era levado para ser torturado. Eu saia da “sala roxa” e ele estava entrando. Muito magro, bastante machucado com marcas roxas no rosto e nos braços. Cruzamos na entrada da sala de torturas; nos olhamos… Seu olhar me acompanhou por muitos anos…

Parece que foi ontem… Esta e muitas outras histórias continuam em nós, marcadas a ferro e fogo… Fazem parte de nossas vidas… Falar delas é ainda duro e difícil… Parece realmente que foi ontem, hoje, agora… Envolvemo-nos, desde então, direta e/ou indiretamente na luta contra a ditadura. Foi, sem dúvida a experiência – não só a da tortura, mas a da militância naqueles anos – mais visceral de toda a minha vida e que me marcou para sempre. Nós mulheres que atuamos – na vanguarda ou na retaguarda, não importa – naquele intenso e terrível período, derrubamos muitos tabus, vivemos visceralmente a presença assustadora da morte, a ousadia de desafiar e enfrentar um Estado de terror, a coragem de sonhar e querer transformar esse sonho em realidade. Acreditávamos… Sim, queríamos um outro mundo, outras relações, outras possibilidades… e queremos hoje.

Alguns torturadores foram por mim reconhecidos:
1) Major da PM RiscaleCorbaje era o chefe de uma das equipes do DOI-CODI/RJ em 1970 e 1971. Conhecido como Dr. Najib era tenente-coronel, em 1986, quando exercia a função de Assessor de Segurança do BANERJ.
2) Luiz Timótheo de Lima, era agente da Polícia Federal/RJ e lotado no DOPS/RJ, com atuação no DOI-CODI/RJ, em 1970.. Conhecido como Padre foi, nos anos 80, segurança do Hospital do Câncer, da Câmara de Vereadores (gabinete Romualdo Carrasco) e, em 1986, trabalhava no Setor de Segurança da Mesbla.
3) João Câmara Gomes Carneiro era major da Cavalaria do Exército e serviu na 12ª RI-BH, onde comandava sessões de tortura, em 1968 e 1969. Em 1969 e 1970 comandou o DOI-CODI/RJ. Era conhecido como Magafa. Em 1975, foi para a reserva, indo residir em SP, tendo em 1987 uma empresa de segurança.
4) Ailton Guimarães Jorge era capitão intendente do Exército. Serviu na PE da Vila Militar/RJ, de 1968 a 1970 e no DOI-CODI/RJ de 1970 a 1974. Conhecido como Dr. Roberto, esteve envolvido em contrabando. Foi processado e absolvido. Em 1975, foi para Reserva e tornou-se banqueiro do bicho.
5) Alfredo Magalhães, oficial da Marinha. Era do CENIMAR, em 1970 e 1971. Apesar de reformado continuou ligado àquele órgão. Conhecido como Dr. José, Dr. Paulo, Comandante Mike e Alemão.
6) Almicar Lobo Moreira da Silva, tenente médico do Exército. Serviu no DOI-CODI/RJ, de 1970 a 1974. Também era conhecido como Dr. Carneiro.
7) Ary Pereira de Carvalho era tenente coronel da Cavalaria do Exército. Serviu na PE da Vila Militar/RJ e no DOI-CODI/RJ de 1970 a 1974. Em 1985, era adido militar na Embaixada do Brasil em Buenos Aires.  Mário Borges era Comissário da Polícia Federal, lotado no DOPS/RJ desde 1966. Era conhecido como Capitão Bob.
9) Jair Gonçalves da Motta era inspetor da Polícia Federal, lotado no DOPS/RJ. Também atuou no CISA, em 1971. Era conhecido como Capitão. Tinha livre trânsito no DOI-CODI/RJ.
10) Humberto Quintas era funcionário do DOPS/RJ desde 1969.
11) Francisco Demiurgo Santos Cardoso, conhecido como “major Demiurgo”. Era Major na Infantaria do Exército, lotado no DOI-CODI/RJ em 1969 e 1970. Nos anos 70 foi transferido para o Comando Militar da VIª RM de Salvador (Bahia).

Solicito, por fim, que as Comissões Nacional e Estadual da Verdade/RJ chamem estas pessoas acima assinaladas para prestar depoimento sobre os crimes cometidos dos quais sou testemunha.

Rio de Janeiro, 13 de junho de 2013

Cecilia Maria Bouças Coimbra